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A pecuária brasileira permanecerá sustentável pós-Covid-19

04/06/2020 - A pecuária brasileira permanecerá sustentável pós-Covid-19

 Nos últimos meses, em virtude da pandemia, dois temas tomaram conta das discussões globais: segurança do alimento e segurança alimentar. As preocupações com o aquecimento global ficaram em segundo plano, mas voltarão tão logo a pandemia acabe, somadas à preocupação com os outros dois temas.

Os impactos ambientais causados pela atividade pecuária são frequentemente questionados pelos stakeholders nas discussões setoriais, especialmente aqueles que atuam no mercado exportador de carne bovina, principal demandante de alta qualidade. Entende-se por qualidade os aspectos intrínsecos (maciez, sabor, coloração, marmoreio etc.) e extrínsecos (sustentabilidade, sanidade, rastreabilidade, certificações de origem, bem-estar animal, comércio justo etc.) presentes no processo de produção e no produto final.

Estes impactos se apresentam de diversas formas: por meio da emissão de gases de efeito estufa, desmatamento, degradação do solo e das pastagens, poluição hídrica, empobrecimento da biodiversidade, entre outras. Como consequência, observa-se a redução da sustentabilidade da pecuária em indicadores, como a baixa taxa de desfrute, a baixa oferta de forragem, os baixos índices zootécnicos e a baixa produtividade de carne.

Felizmente, nas últimas décadas, o modelo de produção pecuária no Brasil mudou sensivelmente e passou a priorizar tecnologias mais intensivas em capital, com melhor desempenho técnico e econômico, e que geraram significativos ganhos de produtividade. Em 1997, o Brasil possuía uma produção de 20,57 kg de carcaça bovina por hectare. Atualmente, se produz 44,17 kg de carcaça por hectare, ou seja, em 20 anos mais do que dobrou-se o desempenho por área.

Esses ganhos de produtividade, além da efetiva contribuição ao aumento da renda, também resultaram em notável redução do impacto ambiental da atividade, quando medido por unidade de produto. Parte, em razão do chamado efeito poupa-terra, isto é, a área de terra que deixa de ser cultivada em razão de progressos tecnológicos que aumentam a produção por unidade de área. Em parte, pela capacidade das pastagens produtivas gerarem mais raízes, aumentando a matéria orgânica do solo, tendo por efeito líquido a captura de CO2 da atmosfera e fixação de carbono no solo. Outros benefícios são o maior armazenamento e eficiência de uso de água e de nutrientes no solo e as menores perdas por escorrimento superficial e erosão.

Dentre as soluções tecnológicas disponíveis e economicamente viáveis capazes de diminuir os impactos ambientais causados pela atividade pecuária, destacam-se os sistemas integrados de produção, melhoramento genético de animais, adubação de manutenção de pastagens, recuperação de pastagens, vedação de pastagens e suplementação, boas práticas de produção, produção de novilho precoce, entre outras.

Essas tecnologias trazem ganhos de eficiência para os sistemas produtivos pecuários, o que melhora os indicadores zootécnicos e, consequentemente, a taxa de desfrute e lucratividade do pecuarista. Além disso, permitem o desenvolvimento de novos negócios com foco em diferenciação do produto por qualidade ao longo da cadeia produtiva, gerando, com isso, uma maior competitividade do setor.

Segundo estudos do Centro de Inteligência da Carne Bovina (CiCarne), nos próximos vinte anos responderemos a situações cada vez mais complexas. Os avanços tecnológicos e a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) irão mudar o patamar tecnológico da pecuária de corte.

Esse processo de elevação do nível de gestão e de tecnologia excluirá diversos pecuaristas menos preparados do sistema produtivo. Haverá aumento em área de ILPF paralelamente à redução nas áreas de pastagem, crescimento no número total de cabeças e muito mais produtividade. Esse movimento, se bem trabalhado estrategicamente, melhorará a imagem do setor de bovinocultura de corte no País perante a opinião pública nacional e internacional. Haverá maior produção, integrada à biodiversidade, com menor uso de terras para a atividade.

Por fim, é necessário entender que o desenvolvimento da pecuária brasileira e o fator meio ambiente não são antagonistas, mas complementares. O uso racional do meio ambiente pode gerar prosperidade econômica com melhoria ambiental e social para todos os envolvidos na cadeia produtiva da carne bovina brasileira.

Fonte: Embrapa adaptado pela IEG FNP

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