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Avicultores chineses são obrigados a sacrificar animais devido ao coronavírus

06/02/2020 - Avicultores chineses são obrigados a sacrificar animais devido ao coronavírus

 Avicultores da Província de Hubei, no coração do atual surto de coronavírus na China, estão tendo que sacrificar aves jovens porque novas regras adotadas pelo país para conter a doença paralisaram o transporte de ração e de animais vivos para os matadouros, relata a agência Reuters.

A proibição do movimento de aves vivas - que, acredita-se, pode elevar os riscos de transmissão do vírus - impediu os agricultores de Hubei de levar galinhas e ovos ao mercado.

Hubei é a Província na qual está localizada a cidade de Wuhan, onde o coronavírus foi identificado pela primeira vez na China. A epidemia já matou 426 pessoas e infectou mais de 20 mil em todo o país.

Com a falta de ração, alguns criadores estão reduzindo a alimentação das aves, enquanto outros estão sacrificando parte dos animais, de acordo com um funcionário da Associação de Avicultura de Hubei. "Muitas aves jovens foram eliminadas com segurança", disse a fonte, que preferiu não ser identificada, à Reuters.

Na semana passada, a associação apelou ao governo por uma autorização para o suprimento de ração para as aves.

"Os produtores não têm como sobreviver", disse um criador que produz cerca de 7 mil ovos por dia perto da cidade de Huanggang. "Estou esgotando meus estoques de ração e não sei como vou tirar meus ovos".

Vídeos que circularam pelas redes sociais chinesas nesta semana parecem mostrar avicultores em locais não especificados enterrando filhotes, patinhos e patos adultos vivos, além de ovos. A Reuters não conseguiu verificar a veracidade dos vídeos ou confirmar quando e onde foram filmados.

A China produziu 22 milhões de toneladas de carne de aves em 2019, um aumento de 12% em relação ao ano anterior, em meio à escassez de carne de porco causada pela peste suína africana. Hubei abate cerca de 500 milhões de aves por ano e é um importante produtor de ovos.

Segundo analistas, Províncias em outras regiões também foram impactadas. Vilas e condados de toda a China estão erguendo bloqueios nas estradas, numa tentativa de manter o coronavírus fora de seus territórios.

Incubadoras que vendem pintinhos ou patos aos agricultores para criação antes do envio aos matadouros têm sido especialmente atingidos. Com severas restrições ao transporte, os produtores não podem ou não querem comprar filhotes para reabastecer suas fazendas, disse Dong Xiaobo, gerente geral na China da francesa Orvia, a segunda maior fornecedora de patos da China.

"Os preços atingiram um piso de 5 centavos por patinho. Ninguém sabe o que fazer com sua produção", afirmou ele.

Em virtude dessa nova crise, que se soma aos problemas causados pela peste suína africana, a expectativa é que a China tenha que ampliar ainda mais suas importações de proteínas animais. A expectativa é que países exportadores de carnes como o Brasil sejam beneficiados, embora, ao mesmo tempo, a tendência seja de queda das importações chinesas de soja para a produção de ração.

Fonte: Valor Econômico adaptado pela IEG FNP

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